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8 de dezembro de 2012 | By: Fidelis di Luigi

SOPRESSATA MORMONELA




    
Igreja do Divino Espirito Santo, na cidade de Poções






Numa 5ª feira de 26 de Julho deste ano , o primo Eduardo Sarno, comentou um artigo que lhe enviara sobre a fabricação da “Sopressata  Mormonela”   . No bom português, Lingüiça da cidade de Mormano, Itália.   Para iniciar, sugiro revermos o artigo do WWW. Estadão.com.br: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,linguica-com-pos-graduacao-,905827,0.htm
   
Amostra Espanhola da sobressata.
                                                                                                                                                            
A nossa cidade de Poções – Ba, cidade que nossos antepassados escolheram para viver, se iguala a Itália, no clima ameno, chegando  no inverno aos +6 º C, próprio para a ambientação dos imigrantes Italianos que lá chegaram e favorecendo também a fabricação de alimentos da terra distante que deixaram.
Mamãe Railda provando a amostra.
Muitos alimentos são conhecidos: o macarrão, a pizza, o Pionono, o sanguenacho, a pita doce, a titharata  e inclusive “As linguiças que se curam com o tempo, não necessitando de cozimento para manjare.
Para abrilhantar este documentário, irei perguntar e explorar mais a minha madre; Railda de Vasconcelos Sarno, brasileira, que  no convívio aprendeu com suas cunhadas italianas: Anina, Angelina,Rosina, Joseppina, Francisca e as nossas tias Ana Maria e Lina.
A partir deste aprendizado, mamãe passou a fabricar as “linguiças Italianas “ lá em casa. ( vide fotos da mutação da nossa casa.).
O produto  era disputado por todos , sua qualidade e paladar elogiado e requisitado... Parte do que era produzido, era enviado para os parentes, outra parte enviada para Salvador, onde estudávamos e a ultima parte consumida lá em casa. A época das linguiças coincidia com nossas férias de ½ de ano ou São João.  Que férias !!
Meu pai, Luigi Sarno, sempre foi um incentivador pela necessidade de manter a tradição e estar mais próximo das lembranças da sua Mormano.
Com a ajuda de Railda, nos seus 91 anos, descreveremos como fabricar uma verdadeira Lingüiça  Italiana
O MATERIAL  
Carne de porco, filé ou colchão, sem gordura. Sal, corante (algumas vezes vinha da Italia), erva doce e pimenta do reino.
PREPARO
Para esta parte registro a participação de Tia Helena que morava lá em casa como Irmã de  Railda.
Cortar em pedaços a carne de porco, moer na máquina, espalhar no tabuleiro para temperar:
ENCHIMENTO
Com antecedência, compra-se as tripas de porco, lava-se com vinagre, laranja cortada; vire-a pelo avesso e lave-as novamente. Hoje o mercado fornece estas tripas prontas para o uso e já higienizadas.
Com um funil ou máquina própria, a carne é introduzida nas tripas, preenchendo e amarrando. Pronto esta etapa, vamos perfurar com o espinho da laranjeira para remover o excesso de gordura e arejar o material para a perfeita cura.
ESTOCAGEM
Em suportes tipo madeira atravessada na despensa, de parede para parede, coloca-se as preciosas linguiças penduradas  por +-  15 dias para a cura . Ficam parecidas com o salame (só parecida) Uma delicia!!!
A quantidade depende do freguês. Para uso familiar estima-se de 15 a 20 Kg são suficientes para um bom estoque.
Ah ! O quintal de tio Luiz !  Muitas frutas; Uvas,Marmelo, Maça, Pera. Goiaba, Laranjas, Lima, Vinagreira,Mamão, limão,Figos... e Mangas. Na foto Eu e José no quintal do tio Luiz.
OUTRA SITUAÇÃO
Quando o porco é cria da casa, estima-se que maior será o estoque final.
Assisti certa vez a matança do porco que papai criou no quintal de casa. Veio o Sr, Erotildes que trabalhava no armazém para fazer esta tarefa. Após a sangria, lavava com água fervente para a retiradas dos pelos esfregando  com “caco de telha” até  ficar limpinho.
Na etapa do retalhar, retirava-se as internas e separava –se as partes de carnes ideal para iniciar a fabricação com qualidade.
Coisas do passado e tradição para nossos antepassados. Hoje como qualquer consumidor, vamos ao bom mercado e compramos as verdadeiras e genuínas linguiças Made Italy.
1 de setembro de 2011 | By: Fidelis di Luigi

Os Três Mosqueteiros parte 2










 



 Lu! Aproveito esta oportunidade para lhe apresentar um típico amigo por afinidade a primeira vista. Isto acontece quando Deus quer... Um sai de São Paulo, o outro de Salvador e... Se encontram em João Pessoa, na Paraíba!!! Pode?



          Aconteceu!! Seu nome: Alcir Guimarães e sua esposa, Ivone Guimarães.

Certo dia em J. Pessoa, chegando da obra para o hotel, encontrei já na saleta da recepção, o Engenheiro Pita em conversa com um cidadão. Apresentou-me e ai soube que era uma nova contratação da Odebrecht para a obra de Gramame, que estava iniciando.

Tomamos um drink e no decorrer do papo, fomos consolidando a nossa amizade.

Logo logo, estava ele no trampo... Veio até com o cachorro, que ficou na casinha do hotel!!

Sua terra natal: Santos SP, portanto, um bom Paulista..

Tempo Bom!! Muitos passeios às praias de J. Pessoa, São João em Campina Grande e visita à cidade de Natal.

Felizmente, nossas esposas também se entenderam e até hoje temos esta afinidade.


Um tipico domingão na praia de Tambaú em J. Pessoa.

Em J. Pessoa, o mais engraçado foi o triplo encontro  ! Quando da comemoração dos 15 anos de Luciana, lá estava ele e também o Ailton Morais e mais incrível é que o nosso 3° mosqueteiro amigo, também lá estava, vindo especialmente para as comemorações de Luciana. Haja coincidência!!

Minha nova obra foi em Natal, no Porto. Nós nos distanciamos por um tempo e nos reencontramos na Obra do Equador, na cidade de Guayaquil.



Muito trabalho, porém também aproveitamos para conhecer as belezas daquele país e daquela cidade à beira do oceano Pacifico.

Para a felicidade de Alcir e Ivone, lá nasceu seu filho Gabriel e para minha felicidade, fomos eu e Conceição os escolhido para batizar o filhote recém nascido, acontecimento que consolidou mais ainda nossa amizade.

Quando minha nova obra foi à África, o compadre e a comadre consolidaram o trabalho em Portugal.

Vivíamos assim.. Hoje aqui, amanhã não sei!!


Em Salvador, desfrutamos várias vezes desta minha cidade e os compadres se relacionando com as belezas de Vilas do Atlântico em Lauro de Freitas.


Eu, hoje, aposentado e ele cumprindo o dever de levar o pão para os jovens, Lucas e Gabriel. Agora está com a tarefa da construção da nova Arena da Fonte Nova...


Quando estiver aposentado, espero que venha aqui morar para desfrutarmos juntos da boa idade!!



Conceição, Gabriel, Eu, Alcir e Ivone







 !

                                                        Vida longa para os compadres!

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Para recordar..


































Comadre Ivone na Bahia.


Alcir  na Bahia



Batizado de Gabriel

15 de agosto de 2011 | By: Fidelis di Luigi

OS TRÊS MOSQUETEIROS Parte 1

                                                    

Meu amigo Mora

 Engraçado como é a vida .. Nós nascemos, crescemos e encontramos AMIGOS na nossa caminhada . A afinidade se consolida pela impressão, pela educação e pela reciprocidade da relação.

Sei que temos mais e mais amigos e que poderíamos dar o titulo desta escrita de "Os cem mosqueteiros ", porém, como a pauta é pequena e para não encher a paciência de Luiza, ficarei nestes três mosqueteiros da minha vida.... agradecendo ao bom Deus pela generosidade de alimentar a minha vida com estes recheios de felicidade.

Agradeço um a um, os citados e os que estão no coração, faço aqui minhas sinceras homenagens e agradecimento para todos por serem meus companheiros e suportar este que os quer muito. Apresento o meu amigo MORA !! Citarei em família, porque é sabido que uma andorinha só, não faz verão... Portanto....ao primeiro...

                                      AILTON MORAIS RIOS E ESPOSA EDNA RIOS

Amigo, irmão e companheiro na alegria, na saúde e na responsa.

Conhecemo-nos quando ainda morávamos no Conj. Hab. São João, local de novas amizades. Em especial, esta família de caminhoneiros...Pois sim..Ailton possuía um caminhão M. Benz, que transportava em semanas alternadas para São Paulo, o progresso da Bahia. O cuidado com Edna e com o caminhão se confundiam, pois ele é até hoje uma pessoa prendada e conhecedoras de áreas da mecânica, eletricidade,construção civil e pintura. Como característica nata, uma pessoa alegre e pronta para a solidariedade.

Por mais que nos afastássemos um do outro fisicamente, sempre ficamos juntos na amizade, como verdadeiros irmãos, graças a Deus...

Na Obra da Odebrecht, na Paraíba, lá estava ele integrado à obra, participando dia a dia do nosso trabalho, da nossa amizade e no lazer da cidade bonita que é João Pessoa.

Certa ocasião, nosso gerente, o Eng. João Gadelha, necessitou de um responsável na obra do sertão, mais precisamente em Conceição do Caicó, terra de Elba Ramalho. Depois do SIM, fomos deslocados para lá , retornando só nos fins de semana.

Luciana comemorou os 15 anos nesta oportunidade. Com presença garantida , lá estava ele, alegre e comunicativo com todos os nossos convidados.. Quando mudei para Natal, na obra do Porto, comemoramos na ocasião os 15 anos de Cláudia, lá estava ele nos apoiando e alegrando a ocasião...

Novos horizontes se abriram para mim a partir deste momento. Fui transferido para a obra do Equador e posteriormente para Angola, na África. Para cumprir uma missão de "mosqueteiro" ele ficou em Salvador, com a responsa de construir a minha casa em Lauro de Freitas- Ba. Missão cumprida com êxito !! Participação firme de Edna na escrituração e apoio a Mora e ainda minha procuradora para todos os assuntos... Pela experiência na construção da casa, outras apareceram e marcou seu nome nesta área, onde até hoje trabalha como funcionário exemplar.

OBRIGADO Morais e Edna por vocês existirem!!

















9 de julho de 2011 | By: Fidelis di Luigi

O LIXO LÁ DE CASA

Quero aproveitar um assunto belíssimo, que foi escrito pelo meu primo Eduardo Sarno, Ele é um conhecedor da historia da Familia Sarno. Essa história se repete com o que passei também lá em casa (Poções), são as mesmas coisa da casa de tio Corinto, irmão de meu pai Luigi.

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O LIXO LÁ DE CASA... NO SÉCULO PASSADO

por Eduardo Sarno


A casa a que me refiro, ou em epígrafe, se preferem, é a casa de meu pai, Corinto Sarno, em Poções , interior da Bahia, nos idos de 1950.

Alguns livros de memórias possuem títulos sugestivos, ou alusões a “parece que foi ontem” , ou, como publicou meu irmão Pedro Sarno “Foi tudo tão de repente...”, que decidi também incluir a indicação de que trata-se de um lixo do século passado.

Um fato que me marcou ocorreu em alguma data da década de 60, quando minha irmã Noemia – ela nega e não se lembra – tentou passar ferro em um saco plástico que embalava a camisa Ban-Lon, as primeiras de fibra sintética. Com este fato a nossa história do nosso lixo situa-se antes e depois do saco plástico.

Nossa casa tinha mil metros quadrados, ficava de esquina com a rua da Itália e o Beco do Cine Glória. Esta dimensão permitia que a casa tivesse sete quartos, um quintal de cima, com plantas e árvores frutíferas e um quintal de baixo, com galinhas e mais árvores frutíferas. Tinha também um depósito de lenha e carvão.

No fundo do quintal de baixo, em um dos cantos, debaixo de um grande coqueiro, ficava o monturo, o lugar onde se jogava o lixo.

A cozinha, com sua produção de cascas e restos orgânicos em geral era a principal fornecedora do monturo. As galinhas eram as clientes. Apesar de serem alimentadas com milho diariamente, as galinhas ciscavam continuamente não só o lixo mas todo o quintal, que ficava igual a um terreiro.

Dependendo do tipo de resto orgânico, ele ia para os porcos, que tinham um cercado próprio. Pelancas e ossos iam engrossar a comida do cachorro, no caso o feroz pastor da Casa Sarno.

O sanitário produzia um lixo reduzido, de papéis higiênicos, que eram incinerados no quintal sem maiores problemas.

Grãos, farinha, açúcar, sal e outros eram comprados em embalagens de papel. Na Casa Sarno tinha uma seção de secos e molhados, onde o produto era pesado já com o papel, que depois era destramente fechado, ficando o embrulho parecido com um grande pastel. O saco de papel, mais prático, só aparece algum tempo depois.

As latas de biscoito, banha, manteiga e outros eram reutilizadas para guardar mantimentos ou como utensílios de cozinha. As latas pequenas, nas mãos de artesãos, transformavam-se em lamparinas e outros artefatos.

A cabaça, inteira, comprida e com um furo era usada para bater leite e fazer queijo ou ricota. Pequena e cortada ao meio servia para tirar água do pote.

A bucha, uma cucurbitácea, depois de seca e retirada a fina casca, servia para a limpeza das panelas, juntamente com a fina areia, que vinha do caminho do açude velho. Assim, eram as panelas areadas. A bucha, para a higiene corporal no banho ainda hoje é encontrada.

O leite chegava da fazenda em grandes latões, não necessitando de embalagem própria. A borra do café coado servia de adubo, e do fogão à lenha se retirava a brasa que era usada para aquecer o ferro de passar, e a cinza para fazer sabão.

Os objetos em geral eram feitos de madeira, alumínio, cobre, latão, ferro fundido e metal zincado, todos de fácil conserto e reparo. As latas de querosene – usado na geladeira a gás - eram direcionadas para o uso na construção civil.

As garrafas de vidro eram poucas, e sempre reutilizadas para licor, azeite, vinagre, etc. Para se comprar cerveja ou refrigerante era obrigatório levar garrafas iguais para troca, ou deixar uma caução em dinheiro, para receber na devolução do casco. Mas sempre uma garrafa quebrada podia ser usada para guarnecer o alto de um muro contra visitas indesejadas.

Cordas e cordões eram feitos de croata, ou gravatá, uma bromeliácea. Os sacos de juta, usados para ensacar café e mamona no Armazém Sarno, eram usados como panos de chão.

No quintal de cima, afora alguns de cimento, a maioria dos canteiros era de caixotes de madeira, que meu pai trazia da loja e plantava principalmente cravos.

Periodicamente ele podava as videiras, e fazia mudas com as hastes maiores, indo a folhagem para o lixo. Era praticamente este o lixo orgânico proveniente das árvores frutíferas, não havendo necessidade de queimar nenhum resto de madeira no fogão. Um capitulo especial era o uso que fazíamos de quase tudo para brinquedos e brincadeiras.

Nas mãos hábeis de Adilson Santos os cabos de vassoura se transformavam em perfeitos arcos, e as penas das galinhas em adornos para as flechas. As pontas ele confeccionava com tampas de latas ou raros pedaços de vergalhão. As velhas baterias de carro eram desmontadas e o chumbo derretido, para fazer pesos e outras formas em fôrmas escavadas na madeira.

As cabeças de fósforo eram colocadas em um buraco em um tronco e estouradas com prego e martelo.

No quintal da casa de Miguel Lopes havia um caminhão velho que aos poucos fomos desmontando escondido, roubando as rolimãs para o jogo de gude e os rolamentos para fazer patinete, que tinha um suporte com o volante. As caixas de madeira da loja eram usadas para fazer carrinhos, com volante e eventual freio de pouca serventia, pois o impulso que os meninos davam ao empurrar o carrinho era desproporcional à potencia do freio e o declive da rua da Itália.

As tampas de refrigerantes, desempenadas, serviam para um jogo em que elas eram batidas contra a parede e ficavam próximas da “ficha” do adversário. As apostas eram pagas com carteiras de cigarro vazias.

Não só o descarte das casas, mas o da cidade também era reutilizado. A borracharia fornecia material para os badoques e solado para as alpercatas que usávamos.

Qualquer aro de metal ou madeira era logo usado para diversão, adaptado a algum tipo de carrinho ou simplesmente empurrado destramente com uma haste de ferro ou madeira. Até a cera das abelhas era usada para fazer dardos emplumados.

Era assim, uma vida sem perdas nem danos. O pesadelo do carro do lixo só apareceu anos depois, quando nosso futuro foi plastificado.
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